Irã considera ‘possível retomada’ do conflito com os EUA, diz comandante militar

Cessar-fogo em vigor desde 8 de abril é ameaçado após críticas de Donald Trump à última proposta de Teerã para encerrar a guerra 

  • Por Jovem Pan*

Um comando militar iraniano alertou, neste sábado (2), que é “provável” uma retomada das hostilidades com os Estados Unidos, depois que o presidente americano, Donald Trump, se disse insatisfeito com a última proposta de Teerã para encerrar o conflito.

As duas partes observam um cessar-fogo desde 8 de abril, após quase 40 dias de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e de represálias iranianas contra as monarquias do Golfo, aliadas de Washington.


Islamabad sediou uma primeira rodada de diálogos diretos em 11 de abril. Mas não deu resultado, pois as posições seguem muito distantes sobre o Estreito de Ormuz, onde o Irã tem a pretensão de cobrar um pedágio pela passagem de navios, e o programa nuclear da República Islâmica.

O Irã transmitiu, esta semana, um novo texto através do Paquistão, que atua como mediador. Não foram dados detalhes sobre o conteúdo da proposta.

Mas o presidente americano, que na quinta-feira foi informado por seu exército das diferentes opções em cima da mesa, não demorou em desconsiderar esta nova iniciativa.


“Neste momento, não estou satisfeito com o que oferecem”, disse Trump a jornalistas na sexta-feira, ao culpar a “tremenda discórdia” dentro da liderança iraniana pela estagnação dos diálogos.

“Queremos ir lá e simplesmente arrasá-los e acabar com eles para sempre, ou queremos tentar alcançar um acordo? Quero dizer, estas são as opções”, respondeu, quando perguntado sobre os próximos passos.



“É provável que o conflito com os Estados Unidos seja retomado, e os fatos demonstram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa, nem acordo”, disse a respeito, neste sábado, Mohamad Jafar Asadi, inspetor-adjunto do comando militar central Jatam al Anbiya, citado pela agência iraniana Fars.

“As forças armadas estão perfeitamente preparadas diante de qualquer possível oportunismo ou ação imprudente por parte dos americanos”, enfatizou este comando militar.


Operações “terminadas”


Teoricamente, Donald Trump tinha até esta sexta-feira para solicitar a autorização do Congresso dos Estados Unidos a fim de continuar com a guerra, iniciada em 28 de fevereiro juntamente com Israel.

Em vez disto, optou por enviar uma carta aos líderes legislativos para notificá-los que as hostilidades contra o Irã tinham “terminado”.

Vários congressistas democratas destacaram, no entanto, que a presença contínua de forças americanas na região indica o contrário.

O USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, já deixou o Oriente Médio, mas permanecem na região 20 navios da Marinha americana, inclusive outros dois porta-aviões.


A guerra deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e suas repercussões seguem abalando a economia mundial. Os preços do petróleo atingiram, esta semana, um máximo de quatro anos, com o barril de Brent alcançando 126 dólares.

Embora os bombardeios israelenses-americanos contra o Irã tenham cessado, o conflito regional perdura em outros canais. A começar pelo Líbano, onde Israel prossegue com seus ataques contra o movimento islamista pró-iraniano Hezbollah, apesar de uma trégua entre as duas partes.

Washington, por sua vez, mantém um bloqueio naval aos portos iranianos, em represália pelo fechamento quase total por Teerã do Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra transitavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em todo o mundo.

O governo americano também anunciou, na sexta-feira, novas sanções contra os interesses iranianos, e advertiu que quem pagar um pedágio a Teerã para atravessar o Estreito de Ormuz se exporia a sanções.


As perturbações da guerra também são diplomáticas e chegam à Europa.


O Pentágono anunciou, na sexta-feira, a retirada de cerca de 5.000 militares na Alemanha no prazo de um ano. Trata-se de uma redução significativa da presença militar americana em um continente inquieto pelas ambições russas e o compromisso dos Estados Unidos com a Otan.

Trump demonstrou irritação com as declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que disse recentemente que Washington não tem “nenhuma estratégia” no Irã e que a República Islâmica “humilhou” a primeira potência mundial.


Novas execuções


Negar Mortazavi, do grupo de reflexão Center for International Policy, incide na “coesão” do poder iraniano, que está travando “uma batalha existencial”.

Embora graças à trégua os iranianos tenham podido retomar certa normalidade, seu cotidiano é dificultado pela inflação, que disparou, assim como pelo desemprego, em um país já afetado por décadas de sanções internacionais.

Amir, de 40 anos, conta que começa o dia “vendo as notícias, e as novas execuções”, realizadas pelo poder iraniano.

Neste sábado, a justiça anunciou o enforcamento de dois homens acusados de espionagem a favor de Israel.

“Tenho a impressão de estar preso no purgatório”, disse Amir à AFP. “Os Estados Unidos e Israel vão acabar nos atacando de novo”, enquanto “o mundo fecha os olhos”.


*AFP

Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes de 200 nacionalidades

Entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refúgio, a população estrangeira está presente em todas as unidades da federação

  • Por Jovem Pan

O Brasil abriga pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de 200 nacionalidades diferentes, presentes em todas as unidades da federação. Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos são os grupos em destaque. Estima-se a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com participação em maior número de mulheres e crianças (0 a 14 anos).


Os dados constam no 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) – “Política Migratória no Brasil: evidências para gestão de fluxos e políticas setoriais”. O documento foi apresentado nesta quinta-feira (30) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Brasília, traz diversas recomendações para a efetiva integração destes públicos à sociedade brasileira.

O levantamento tem o objetivo de subsidiar a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), editada no fim do ano passado (decreto nº 12.657/2025), que substituiu a Lei de Migração de 2017.

As análises incluíram aspectos em relação à evolução na intensidade dos fluxos migratórios, pontos de entrada no Brasil, composição por sexo e idade, distribuição espacial nas unidades da federação e a estratégia de regularização desses grupos no país.

Os resultados também analisaram a situação de migrantes, refugiados e apátridas sob os seguintes eixos: trabalho, educação, proteção social e governança local.


Política brasileira acolhedora


O atual representante da Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, afirma que os dados públicos atualizados ajudam a enfrentar desafios mundiais e regionais desta temática.

“Quero destacar o compromisso [do Brasil] em fortalecer continuamente sua base de dados públicos como forma de garantir que informações qualificadas, transparentes sobre refugiados ou pessoas deslocadas à força e apátridas para que sejam mantidos e aprimorados. Dados confiáveis nos ajudam a responder ao desafio contemporâneo da mobilidade humana.”


Davide Torzilli reforçou que a nova política nacional é única no mundo e que o Brasil tem, de maneira consistente, afirmado seu compromisso com a governança do sistema de proteção social baseado em direitos humanos, cooperação internacional e responsabilidades compartilhadas.

A apresentação deste relatório antecede a participação da delegação brasileira na reunião agendada pelas Nações Unidas, em Nova York (EUA), na próxima semana, no para debater o Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular.


O diretor do departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Victor Semple, afirmou que o governo federal recentemente formulou o Plano Nacional de Imigração Refúgio, e Apatridia, previsto na nova política nacional.

“O governo federal reafirma o compromisso do governo com essa pauta e a vocação do Brasil, enquanto país acolhedor. Também confirma a perspectiva de inclusão nas políticas de governo.”


Trabalho e renda


No lançamento do relatório, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, enfatizou que a busca por trabalho é o principal motor da migração global e o vetor essencial para a integração do estrangeiro na sociedade.

“O trabalho não é apenas fonte de renda; é o que permite ao migrante construir vínculos e exercer plenamente sua cidadania”, disse o ministro.

O 12º Relatório Anual do OBMigra aponta que o fluxo de trabalhadores migrantes no mercado de trabalho formal no Brasil aumentou 54%, entre 2023 e 2025. O número de trabalhadores imigrantes com carteira assinada superou os 414,96 mil vínculos, em 2025.


Neste universo, 43% estão concentrados na produção industrial (especialmente no setor de abate de animais na região Sul).

Na comparação com pedidos de residência para trabalhar no Brasil, entre 2022 e 2024, o aumento foi de 68%, indicando mais oportunidades de trabalho no país.

“Isso se deve a maior demanda por mão de obra de migrantes no Brasil, já que o país vive hoje um contexto de pleno emprego”, afirmou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).


Sobre as principais nacionalidades, em 2025, o mercado formal de trabalho brasileiro contava com mais de 201 mil trabalhadores venezuelanos. Os haitianos vieram em seguida, com um crescimento de 20,4% entre 2023 e 2025, com o total de 51,2 mil haitianos formalmente contratados, no ano passado. Já os cubanos, aparecem na terceira posição com 30,7 mil trabalhadores formais.

Porém, o documento destaca que muitos imigrantes com ensino superior sofrem com a inconsistência de status e ocupam cargos de baixa qualificação e renda e, consequentemente, com menores rendimentos.


Frente à situação, o relatório recomenda ao poder público, entre outros, a promoção do reconhecimento de diplomas, a intermediação de mão de obra qualificada e a redução de barreiras institucionais e educacionais com o objetivo de melhorar a alocação ocupacional.

As informações do panorama atualizado das migrações internacionais também mostram que a maioria absoluta dos trabalhadores domésticos migrantes está na informalidade, ou seja, sem carteira assinada. Em 2024, 78,8% dos trabalhadores domésticos estavam sem carteira (1.184), enquanto apenas 21,2% tinham carteira assinada (318).


O estudo usou a base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e os dados da Coordenação de Imigração Laboral (CGIL) do MJSP.

ministro Luiz Marinho alertou que a falta de organização nessa inserção pode gerar riscos elevados de exploração e trabalho análogo à escravidão, o que prejudica todo o mercado ao permitir a concorrência baseada na redução de direitos. Para acompanhamento destas situações, o titular da pasta lembrou da retomada do Conselho Nacional de Imigração e combate à exploração laboral, na atual gestão federal.

Marinho pontuou ainda que a estratégia de interiorização de migrantes no país somente será bem-sucedida, se for acompanhada de qualificação.

“Interiorizar com trabalho precário não resolve o problema, apenas o desloca. Interiorizar com qualificação inclusão produtiva ao contrário: gera desenvolvimento local, fortalece as economias regionais e promove a integração social.”


Proteção social


No campo da proteção social, o relatório evidencia a relação entre mobilidade internacional e vulnerabilidade socioeconômica.

O documento constata o aumento expressivo de migrantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, entre 2023 e 2024. O número de migrantes cadastrados no CadÚnico cresceu de 562.687 para 650.683, no período.

No perfil sociodemográfico da população migrante cadastrada, a predominância é feminina (55,6%, em 2024).

Com relação à idade, os dados do CadÚnico indicam crescimento mais acentuado no número de migrantes crianças e adolescentes de 0 a 17 anos que passou de 159.011, em 2023, para 188.531, em 2024. Alta de 18,6%, em apenas um ano.


Esse resultado evidencia a ampliação de famílias migrantes com crianças no sistema de assistência social. O relatório reforça “a necessidade de articulação entre políticas de assistência social, educação e proteção à infância.

O relatório indica maior acesso a programas sociais, como Bolsa Família. Em 2023, do total de 562.687 migrantes cadastrados no CadÚnico, 302.497 eram beneficiários do Bolsa Família, enquanto 260.190 não recebiam o benefício.

Por isso, o relatório recomenda:

· reduzir o tempo entre cadastramento e acesso a benefícios, por meio da ampliação da transparência e comunicação sobre critérios e etapas;

· aperfeiçoar mecanismos de monitoramento e gestão das filas de acesso a programas sociais.


Localização


Os dados do CadÚnico evidenciam uma forte concentração da população migrante cadastrada em um conjunto reduzido de unidades da federação, com destaque para grandes centros econômicos e estados estratégicos do ponto de vista migratório.

Três estados concentram parcela expressiva do total de migrantes registrados no país. Em 2024, São Paulo manteve-se como o estado com o maior número de migrantes cadastrados, totalizando 140.033 registros, seguido por Paraná (102.046) e Roraima (86.845).

Também se destacaram, em 2024, como polos de atração econômica e permanência da população migrante os estados de Santa Catarina (71.055) e Rio Grande do Sul (61.386).


Educação


O eixo dedicado à educação, o estudo confirma o crescimento consistente das matrículas de estudantes imigrantes na educação básica entre 2010 e 2024 e evidencia a ampliação do acesso ao direito à educação.

No período, o número de matriculados nas três etapas da educação básica, somado ao número de imigrantes nas modalidades educação profissional técnica de nível médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), passou de 41.916 para 224.924 estudantes, resultando em um aumento de 437%.

Desde 2010, o número de migrantes em instituições de ensino superior cresceu 77,5%. Saltou de 16.696, em 2010, para 29.635 pessoas matriculadas, em 2023.

No entanto, mesmo com a consolidação da presença migrante nas políticas públicas de educação, o estudo conclui que existem desafios relativos à inclusão linguística, à adaptação pedagógica e à capacidade institucional dos sistemas educacionais locais.


E mesmo a escola sendo considerada um espaço central de socialização e mobilidade social, também é local de reprodução de desigualdades estruturais.

Diante dos fatos, o estudo recomenda que as instituições educacionais, sejam elas de ensino básico ou superior, propiciem “espaços de diálogos, vivências e aprendizagem ancorados no respeito à dignidade humana.”

E nas escolas públicas municipais e estaduais, deve-se garantir a cobertura suficiente para a incorporação do público migrante, adequada às demandas locais.

Já na educação superior, devem ser considerados aspectos como alimentação, moradia, saúde e trabalho para promover o acesso e permanência dos estudantes imigrantes, refugiados e apátridas.


Governança local


No Brasil, a política migratória é de responsabilidade da União, mas, em grande parte quem oferece os serviços públicos (escolas, postos de saúde, assistência social), são as gestões estaduais e municipais.

Por isso, o relatório também foca nos maiores desafios da gestão pública de melhorar o atendimento real na ponta, sobretudo, no município onde o migrante vive.

O documento propõe que haja uma colaboração técnica e financeira mais clara entre os três níveis de governo (federal, estadual e municipal) para que sejam criadas estruturas permanentes e preparadas para atender a população migrante, refugiada e solicitante de refúgio no país, de forma justa em todo o território nacional.



“A consolidação da política migratória nacional, especialmente no eixo da integração, depende do fortalecimento do pacto federativo, da governança local, da institucionalização das respostas municipais e da construção de mecanismos que garantam sustentabilidade, equidade territorial e efetividade no acesso a direitos para migrantes e refugiados no Brasil”, conclui o relatório.

O texto do relatório recomenda a ampliação das políticas de acolhimento e interiorização de migrantes para além de Roraima, ponto de entrada de pessoas vindas da Venezuela.

Brasileiro Thiago Ávila, preso a caminho de Gaza, será interrogado em Israel

Os barcos da flotilha que não foram interceptados na quinta-feira seguiam para a cidade cretense de Ierápetra

  • Por AFP
  • Por Jovem Pan

O brasileiro Thiago Ávila e palestino-espanhol Saif Abu Keshek, detidos na quinta-feira (30) com outros cerca de 175 ativistas a bordo de uma flotilha humanitária rumo a Gaza, serão interrogados em Israel, indicaram as autoridades desse país nesta sexta-feira (1º).

A maior parte dos ativistas dessa flotilha, que inicialmente contava com mais de cinquenta embarcações, desembarcou nesta sexta-feira na ilha grega de Creta, em cuja costa foram interceptados na quinta-feira pelas forças israelenses.


Segundo constatou um jornalista da AFP, os ativistas, em sua maioria cidadãos de países europeus, embarcaram em quatro ônibus no porto de Atherinolakkos, no sudeste. Escoltados pela guarda-costeira grega, seguiriam para Heraklion, a capital da ilha, segundo a imprensa local.

Os barcos da flotilha que não foram interceptados na quinta-feira seguiam para a cidade cretense de Ierápetra.

Entre os que desembarcaram em Creta não estão, de acordo com o anunciado pelo Ministério das Relações Exteriores israelense, nem o ativista brasileiro Thiago Ávila, membro do comitê organizador da Flotilha Global Sumud, nem o palestino-espanhol Saif Abu Keshek.

Em uma mensagem no X, o ministério afirmou que Thiago Ávila é “suspeito de atividade ilegal”, sem mais detalhes, e que Abu Keshek é “suspeito de filiação a uma organização terrorista”. Ambos “serão levados a Israel para serem interrogados”, acrescentou.


“Todos os ativistas da flotilha já estão na Grécia, exceto Saif Abu Keshek e Thiago Ávila”, destacou um porta-voz da Chancelaria israelense, Oren Marmorstein, sem precisar o paradeiro de ambos.

Contactada pela AFP, a esposa de Ávila, Lara Souza, disse que não pôde se comunicar com o marido “desde quarta à tarde”.

“O governo brasileiro está tentando intervir, mas não está conseguindo resposta também. Não sabemos se o navio israelense ainda está em águas gregas ou já em águas internacionais”, acrescentou Souza.



Thiago Ávila participou da flotilha humanitária “Nuestra América”, que chegou no fim de março a Havana, em solidariedade ao governo cubano, pressionado pelo bloqueio energético imposto pelo governo do presidente americano Donald Trump.

Acompanhado da ativista sueca Greta Thunberg e da ex-prefeita de Barcelona Ada Colau, Ávila participou também no ano passado de outra flotilha com destino a Gaza, igualmente interceptada por Israel.

O governo espanhol exigiu, nesta sexta-feira, a “imediata libertação” de Abu Keshek e prometeu prestar-lhe “toda a proteção”.


Mais de 50 barcos


Na quinta-feira, Israel afirmou que 175 ativistas (211 segundo os organizadores da flotilha) a bordo de cerca de vinte embarcações haviam sido interceptados na costa de Creta, no Mediterrâneo oriental.

As autoridades israelenses disseram inicialmente que os ativistas seriam levados para Israel. Mas, na própria quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, esclareceu que havia sido acordado com o governo de Atenas que desembarcassem na costa do país europeu.

A flotilha era composta por mais de 50 barcos que partiram, nas últimas semanas, de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália). A AFP verificou, com base em dados fornecidos pelos organizadores, que as embarcações foram interceptadas na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Grécia.

A operação israelense recebeu críticas em nível internacional. Em um comunicado conjunto, cerca de dez países, entre eles Espanha, Turquia e Paquistão, denunciaram “violações flagrantes do direito internacional” por parte de Israel.


Madri convocou o encarregado de negócios de Israel na Espanha. O governo dos Estados Unidos apoiou Israel e criticou os aliados europeus, de cujos territórios partiram os barcos, por apoiarem “essa manobra política inútil”.

Os ativistas diziam querer romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária a esse território palestino, cujo acesso continua fortemente restrito apesar de um frágil cessar-fogo entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas em vigor desde outubro.

A Chancelaria israelense classificou, nesta sexta-feira, os ativistas de “provocadores profissionais” e de estarem fazendo o jogo do movimento islamista Hamas.


Afirmou também que “a atividade humanitária na Faixa de Gaza está sendo gerida pela Junta de Paz”, um organismo promovido discricionariamente pelo presidente americano Donald Trump, que se autodetermina funções de resolução de conflitos.

A Flotilha Global Sumud afirmou na quinta-feira, no X, que seus barcos haviam sido abordados “por lanchas militares” e que seus ocupantes haviam “apontado lasers e armas de assalto semiautomáticas” e “ordenado aos participantes que se agrupassem na parte da frente dos barcos e ficassem de quatro”.

Shakira transforma o Rio na capital do pop latino com megashow em Copacabana

Espera-se que uma multidão de dois milhões de pessoas vão à praia icônica, onde foi montado um palco monumental de 1.345 metros quadrados em frente ao hotel Copacabana Palace

  • Por Jovem Pan*

Trinta anos depois de sua estreia internacional com “Pies descalzos”, Shakira fará o maior show de sua carreira neste sábado (2), quando transformará o Rio de Janeiro na capital mundial do pop latino, com um megashow gratuito em Copacabana.

Espera-se que uma multidão de dois milhões de pessoas vão à praia icônica, onde foi montado um palco monumental de 1.345 metros quadrados em frente ao hotel Copacabana Palace, onde a cantora de 49 anos se hospeda desde que chegou à cidade, na última quarta-feira.


A colombiana segue, assim, os passos de Madonna, que se apresentou na mesma praia em 2024 para 1,6 milhão de pessoas, e Lady Gaga, que reuniu 2,1 milhões em 2025, segundo os organizadores.

Shakira tem uma relação histórica com o Brasil, onde se apresentou várias vezes desde 1996.

Foi precisamente no Rio que, em fevereiro de 2022, ela lançou sua turnê “Las mujeres ya no lloran”, a primeira em sete anos e que já foi consagrada como a de maior faturamento de um artista latino, segundo o Guinness.



cantora fala português fluentemente e colaborou recentemente com a cantora Anitta, que poderia aparecer esta noite no palco.

Para gerar expectativa antes do show, Shakira tem publicado vários stories no Instagram: de um vídeo no qual embala chinelos e um biquíni ousado com as cores da bandeira brasileira antes de viajar para o Rio, à sua primeira caminhada na cidade com o Pão de Açúcar ao fundo.

Na noite de quinta-feira, ela apareceu em uma destas publicações cumprimentando de uma sacada seus fãs reunidos nos arredores do hotel.


“Lobacabana”


Há semanas, todo o Rio está em modo “Shaki”. Enormes cartazes com o rosto da cantora estampam vários pontos da cidade. Em Copacabana – renomeada de “Lobacabana” por causa de seu apelido, “loba” -, camelôs vendem leques, bonés, bolsas e até pequenos frascos com “lágrimas de Shakira”, uma menção ao título da turnê.

Grupos de fãs se reuniram várias vezes na praia para aulas multitudinárias de suas coreografias com seu característico movimento de quadris.

“Todo mundo espera vê-la pessoalmente, né? Se eu vê-la, acho que vou abraçar, querer tirar foto. Acho que essa energia envolve todo mundo que está aqui em Copacabana”, disse à AFP Randeon Icaro, cabeleireiro de 36 anos, de plantão em frente ao Copacabana Palace junto com dezenas de outros fãs.

“Durante a semana, todas as pessoas vêm para copa, vêm pra a praia, querem ver a artista e, ao mesmo tempo, querem fazer bagunça, o que é maravilhoso”, comemorou Nicole Ernandes, uma DJ de 47 anos.


Segurança reforçada


Com 100 milhões de álbuns vendidos, quatro Grammys e 15 Grammys Latinos, Shakira conquistou várias gerações de fãs com sucessos como “Waka Waka”, tema da Copa da África do Sul 2010, “Hips Don’t Lie” e “Bzrp Music Sessions, Vol. 53”, música que gravou após sua separação do ex-jogador de futebol Gerard Piqué e que bateu recordes de execuções nas plataformas de streaming.

Fãs de todo o Brasil e de outros países, especialmente da América Latina, vieram para assistir ao show. Segundo a Embratur, as reservas aéreas para esta semana aumentaram mais de 80% frente a 2024.


A Prefeitura do Rio estima que o evento injetará mais de 800 milhões de reais na economia da cidade.

As autoridades mobilizaram quase 8.000 agentes, drones, câmeras de reconhecimento facial e 18 pontos de revista com detectores de metais, no maior dispositivo de segurança que já Copacabana viu em seus megashows.

No ano passado, após a apresentação de Lady Gaga, a Polícia Civil informou ter frustrado, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, um atentado com explosivos, orquestrado por um grupo que difundia discursos de ódio e que tinha entre seus alvos a comunidade LGBTQ+.


*AFP

Jovem Pan concorre em duas categorias no Prêmio +Admirados da Imprensa do Agronegócio

Mariana Grilli, concorre como ‘Melhor Jornalista’, e o programa Hora H do Agro, foi indicado como ‘Programa de TV Geral’; público escolhe o vencedor

  • Por Jovem Pan

A Jovem Pan está cocorrendo em duas categorias no “Prêmio +Admirados da Imprensa do Agronegócio”. A apresentadora Mariana Grilli, concorre como ‘Melhor Jornalista’, e o programa Hora H do Agro, foi indicado como ‘Programa de TV Geral’.

No ano passado, a apresentadora Mariana Grilli também participou da premiação. Ele esteve presente entre os estreantes e fez parte da lista dos TOP 50 +Admirados Jornalistas do Ano.


Essa é a sexta edição do prêmio, que consagra os melhores profissionais e programas. A premiação acontece por turnos, e está na segunda fase. A votação começou no dia 20 de abril e vai até o dia 4 de maio. Para votar, basta acessar o site.

Para votar, é preciso preencher um rápido cadastro e informar até cinco profissionais ou veículos por categoria.

A apresentadora da Jovem Pan disputa o prêmio com mais 100 profissionais. Eles disputam uma vaga no Top 50 +Admirados do Ano, enquanto o Hora H do Agro busca uma vaga no TOP 3 mais votados em oito categorias, sendo elas:


  • Agência de Notícias,
  • Áudio;
  • Canal de Vídeo;
  • Periódico especializado;
  • Programa de TV Especializada;
  • Programa de TV Geral;
  • Site/Portal;
  • Veículo Geral


Na votação, os eleitores podem escolher de 1 a 5 profissionais, sendo que cada posição computa uma pontuação diferente.


  • 1º lugar: 100 pontos;
  • 2º lugar: 80 pontos;
  • 3º lugar: 65 pontos;
  • 4º lugar: 55 pontos;
  • 5º lugar: 50 pontos.


Estética sutil que busca resultados naturais: conheça o conceito de Quiet Beauty

Pautado em critérios científicos e na manutenção da saúde cutânea, nova metodologia prioriza o tempo biológico e o planejamento clínico

  • Por EdiCase
  • Por Jovem Pan*

O mercado de estética começa a observar uma transição no perfil de consumo: a busca por resultados imediatos tem dado lugar ao Quiet Beauty. A metodologia propõe uma “beleza silenciosa”, pautada na ciência e no respeito ao tempo biológico. O objetivo é substituir intervenções invasivas e padronizadas por um cronograma de cuidados contínuos.

O mercado de estética começa a observar uma transição no perfil de consumo: a busca por resultados imediatos tem dado lugar ao Quiet Beauty. A metodologia propõe uma “beleza silenciosa”, pautada na ciência e no respeito ao tempo biológico. O objetivo é substituir intervenções invasivas e padronizadas por um cronograma de cuidados contínuos.


“Cada tecido do rosto e do corpo responde de forma diferente aos estímulos estéticos, e essa resposta é influenciada por fatores como metabolismo, prática esportiva, emagrecimento, rotina hormonal e idade biológica”, explica a dermatologista Dra. Ana Júlia Perdigão. O planejamento considera o estágio natural da pele e a capacidade real de regeneração do organismo.


Quiety Beauty: estética para identidade pessoal


Em oposição aos resultados estéticos estigmatizados pelo excesso, como o contorno mandibular acentuado e o olhar “repuxado”, o Quiet Beauty ganha espaço ao oferecer uma abordagem menos invasiva visualmente. A tendência reflete um cansaço em relação aos padrões de beleza massificados, tema de debate recorrente nas redes sociais.

Atualmente, a busca por procedimentos migra valorização da identidade pessoal e biológica. A prioridade de homens e mulheres deixa de ser a replicação de traços conhecidos e passa a ser a busca por resultados que priorizam a harmonia e a discrição.

Assim, “nasce como uma resposta direta a um mercado estético que, por muito tempo, foi guiado por excessos, padronizações e intervenções pouco estratégicas, por muitas vezes orientadas apenas por resultados imediatos, sem considerar as consequências a médio e longo prazo”, explica a profissional.


Buscar por naturalidade entre as famosas



Famosas, como a influenciadora e empreendedora Jade Picon, já aderiram ao Quiety Beauty, da mesma forma que o nome propõe, silenciosamente. Há cerca de 5 anos, realiza procedimentos que mantêm a naturalidade de seu rosto. 

Segundo a Dra. Ana Júlia Perdigão, no caso de Jade Picon, a clínica desenvolveu um plano personalizado que evolui ao longo dos anos, se adaptando às mudanças naturais ao decorrer da vida adulta. “A questão está em saber quando, como e para quem indicar cada protocolo. Um bom resultado respeita o tempo biológico, a anatomia e a personalidade do paciente”, explica.


Diferentemente de outros procedimentos que focam em intervenções pontuais, o Quiet Beauty® busca um acompanhamento contínuo. Isso possibilita, inclusive, que o cuidado siga sendo personalizado para cada época da vida. “Na medida em que o corpo e o rosto evoluem, seja por emagrecimento, maturidade, rotina esportiva ou diferentes fases da vida, o planejamento estético também se adapta”, explica a dermatologista.

Por se adaptar às diferentes idades, as pacientes costumam seguir o tratamento, como Jade Picon. A Dra. Ana Júlia Perdigão explica que o conceito se relaciona com uma nova forma de valorização da saúde e bem-estar: “Com a adoção crescente de hábitos ligados à saúde, prática esportiva, emagrecimento consciente e busca por performance, o corpo e o rosto passaram a apresentar novas demandas estéticas”.


Por Débora Oliveira

Operação em 11 estados combate venda ilegal de medicamentos para emagrecimento

De acordo com a PF, objetivo é reprimir a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de remédios e insumos farmacêuticos

  • Por Jovem Pan 

Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deflagraram nesta terça-feira (7) a Operação Heavy Pen. O objetivo é reprimir a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de medicamentos e insumos farmacêuticos destinados ao emagrecimento.

Em nota, a corporação informou que foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização nos seguintes estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.


“A ação tem como foco o enfrentamento de grupos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias de uso injetável”, destacou a PF no comunicado.

Ainda segundo a corporação, as ações se concentram em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados em tratamentos para obesidade, além de substâncias correlatas, como a retatrutida, ainda sem autorização para comercialização no Brasil.

Também estão sendo fiscalizados estabelecimentos como laboratórios de manipulaçãoclínicas estéticas e empresas “que atuam à margem da regulação sanitária, com produção, com fracionamento ou com comercialização de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida”.

As condutas investigadas, de acordo com a PF, podem caracterizar crimes relacionados à falsificação e à comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando.



Números


Dados da corporação mostram que as apreensões de medicamentos emagrecedores apresentaram aumento ao longo dos últimos anos, passando de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025 e já alcançando 54.577 unidades até março de 2026.


Fiscalização


A Anvisa anunciou esta semana novas medidas para prevenir riscos e reforçar o controle sanitário de medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP‑1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

O plano inclui ações para combater irregularidades na importação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e na manipulação dos ativos de semaglutidatirzepatida e liraglutida por farmácias de manipulação.

Segundo a agência, a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação das canetas tem sido incompatível com o mercado nacional. Somente no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de insumos, suficientes para a preparação de 25 milhões de doses.

*Com informações da Agência Brasil

Como funciona a tecnologia militar e o sistema de guiagem dos mísseis Tomahawk

Armamento de cruzeiro utiliza navegação furtiva a baixa altitude e comunicação por satélite para atingir alvos estratégicos com exatidão a milhares de quilômetros de distância.

  • Por Jovem Pan

O míssil de cruzeiro Tomahawk é uma arma de ataque de longo alcance projetada para neutralizar alvos terrestres e marítimos de alto valor estratégico sem colocar tripulações e plataformas de lançamento sob risco iminente no front de batalha. Desenvolvido originalmente na década de 1970 pela indústria bélica dos Estados Unidos e modernizado rigorosamente ao longo de décadas de serviço, o artefato é lançado a partir de navios, submarinos e, em testes recentes, de baterias de solo. O armamento viaja em velocidades subsônicas, realizando um voo quase rasante sobre o terreno geográfico ou o nível do mar para evitar a detecção precoce pelos radares inimigos.


As especificações e a capacidade do armamento desenvolvido pela Raytheon

 

A corporação responsável pela fabricação contemporânea deste sistema de armas é a Raytheon, que atualmente integra a gigante de defesa RTX. Em termos estruturais, a fuselagem mede pouco mais de 6 metros de comprimento e pesa cerca de 1.510 kg quando equipada com o seu motor de foguete inicial, abrigando uma ogiva convencional de aproximadamente 450 kg de explosivos de alta potência.

 

Para analistas do setor de inteligência que precisam compreender qual o alcance e a capacidade de precisão dos mísseis Tomahawk fabricados pela Raytheon, a resposta técnica concentra-se nas métricas da sua versão mais moderna, conhecida como Bloco V (Block V). As variantes de longo alcance deste artefato podem percorrer distâncias que variam entre 1.600 e 2.500 quilômetros antes da detonação. Sua margem de erro nominal, classificada militarmente como Erro Circular Provável (CEP), é de apenas alguns metros. Esse nível de exatidão atesta que o míssil pode cruzar as fronteiras e o espaço aéreo de países inteiros para destruir uma única instalação, como um bunker, um centro de comando fortificado ou uma pista de pouso, mantendo os danos à infraestrutura civil ao redor em níveis mínimos.


As etapas de voo e a tecnologia de navegação até o alvo

 

A vantagem tática deste equipamento militar baseia-se na sua capacidade de operar de forma autônoma e dinâmica após o disparo. O sistema descarta a dependência de um único fluxo de dados, cruzando diferentes métodos de orientação durante a trajetória.

 

1. Disparo e aceleração inicial


O equipamento é ejetado de tubos de lançamento verticais ou das comportas de torpedos de submarinos impulsionado por um motor de foguete de combustível sólido de queima rápida (booster). Este motor funciona por poucos segundos, fornecendo o empuxo primário necessário para retirar o armamento da água e colocá-lo no ar, sendo descartado logo em seguida.

 

2. Voo em cruzeiro a baixa altitude


Após o descarte do booster primário, pequenas asas retráteis se desdobram na estrutura aerodinâmica e um motor turbofan entra em operação contínua, uma mecânica de propulsão comparável à de aeronaves comerciais. A partir deste momento, o míssil adota um perfil de voo rasante, deslocando-se em média a 30 metros de altura a uma velocidade de 880 km/h (cerca de Mach 0,74).


3. Guiagem multiplataforma e rastreamento em tempo real


Durante o trânsito até o espaço aéreo hostil, o computador de bordo emprega navegação inercial calibrada por sinais de GPS militar. Caso haja interferência eletrônica na rede de satélites, entra em cena o sistema TERCOM (Terrain Contour Matching), um mecanismo de radar que escaneia o relevo abaixo do míssil e o compara com mapas topográficos tridimensionais salvos em sua memória.

 

Na reta final do ataque, os sensores ópticos do DSMAC (Digital Scene Matching Area Correlation) processam o cenário em tempo real e garantem o enquadramento final no alvo. Uma das principais atualizações no Bloco V é a comunicação via satélite bidirecional, permitindo que a cadeia de comando cancele o ataque ou redirecione o míssil para um alvo alternativo com o equipamento já em voo.


O uso em conflitos e as plataformas de ataque naval

 

O emprego dessa tecnologia costuma ocorrer nas primeiras horas ou dias de uma campanha militar ativa. Historicamente utilizado em operações no Iraque, Líbia e Síria, o objetivo primário das forças armadas ao utilizar esta plataforma é neutralizar polos de comunicação, hangares blindados e redes de defesa antiaérea, abrindo caminho para o envio posterior de caças tripulados.

 

A Marinha dos Estados Unidos mantém o sistema como o eixo central da sua capacidade de projeção de poder, operando a plataforma a partir de cruzadores, destróieres de mísseis guiados (como a classe Arleigh Burke) e frota de submarinos táticos. Além da função de bater alvos fixos terrestres, recentes contratações industriais originaram a variante Bloco Va, conhecida como Maritime Strike Tomahawk (MST). O pacote insere novos radares de busca multímodo para permitir que o míssil encontre, persiga e afunde navios de guerra inimigos que estejam em movimento no oceano. Já a variante Bloco Vb é otimizada com a ogiva JMEWS (Joint Multiple Effects Warhead System), construída especificamente para perfurar múltiplas camadas de solo e alvenaria antes de explodir.


Perguntas frequentes sobre o funcionamento do sistema

 

Qual é a velocidade máxima de voo de um míssil Tomahawk?

O projétil é classificado como subsônico e mantém uma velocidade de cruzeiro de aproximadamente 880 km/h, o equivalente a Mach 0,74. A filosofia de engenharia da arma privilegia a capacidade furtiva e a navegação sobre o terreno acidentado em vez da alta velocidade balística pura.

 

Quanto custa a produção de cada unidade armada?

Os valores acompanham as flutuações e os pacotes tecnológicos encomendados pelo Departamento de Defesa. As unidades mais recentes entregues, correspondentes à moderna série Bloco V, exigem um custo médio estimado em cerca de 2,4 milhões de dólares por míssil finalizado. Modelos mais antigos adaptados costumam figurar nos relatórios orçamentários próximos da faixa de 1,3 milhão a 2 milhões de dólares.


O míssil pode transportar ogivas atômicas ou radiação tática?

Todo o inventário ativo nos dias de hoje possui função exclusivamente convencional, fragmentária ou de penetração. O programa de defesa norte-americano já manteve uma vertente nuclear do míssil (TLAM-N) estruturada durante os impasses da Guerra Fria, mas esse formato foi desativado das embarcações navais e permanentemente aposentado das bases logísticas.

 

A demanda perene por ataques preventivos a longas distâncias consolida este projeto da Raytheon como uma engrenagem primária do planejamento militar moderno. O salto tecnológico das versões analógicas para os armamentos conectados em rede atesta a necessidade militar de atacar infraestruturas com danos calculados, adaptando uma estrutura aeronáutica concebida há décadas aos rigorosos e complexos sistemas de defesa balística do século atual.

Relógio do Juízo Final atinge pior marca em 80 anos

Boletim de Cientistas Atômicos aponta como grandes vilões os conflitos internacionais, o aquecimento global e a inteligência artificial

  • Por Jovem Pan

O relógio do Juízo Final está em seu pior nível desde sua criação, 85 segundos para a meia-noite, conforme o Boletim de Cientistas Atômicos, publicado nesta terça-feira (27). Fundado em 1945, o grupo, que teve a participação de Albert Einstein, J. Robert Oppenheimer e cientistas da Universidade de Chicago que ajudaram a desenvolver a bomba atômica, lançou o relógio dois anos depois.

O objeto funciona como uma representação do fim da humanidade, ao atingir a meia-noite. A ideia era remeter a ideia do holocausto nuclear, ou seja, a destruição total da terra por bombas nucleares, que circulava o imaginário popular da época.

Segundo o comunicado publicado pela associação, a escala de conflitos internacionais, como Paquistão-Índia, Rússia-Ucrânia, e Israel e Estados Unidos atacando o Irã contribuíram para o resultado, colocando o planeta em risco nuclear.


O boletim também aponta o aumento do nível de CO2 na atmosfera como acelerador do fim da humanidade. O nível de dióxido de carbono atingiu 150% do percentual pré-industrial, um novo recorde.

A temperatura do planeta também aumentou, após 2024 ser o ano mais quente registrado em 175 anos, com temperaturas similares em 2025. Pela terceira vez nos últimos quatro anos, mais de 60 mil pessoas morreram pelo calor na Europa.


Trump e ONU


A publicação segue criticando as três últimas reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que o por não enfatizar o fim dos combustíveis fósseis ou monitoramento de emissões de carbono.

O governo de Donald Trump também é criticado por “declarar guerra a energia renovável e políticas climáticas sensíveis”. O texto também acusa o presidente americano de sabotar tentativas do país de combater as mudanças climáticas.


Inteligência artificial


O texto finaliza apontando que a inteligência artificial tem potencial para ser usada como ajudante para criar patogêneos que o corpo humano não teria como defender. O enfraquecimento das normas de produção de armas biológicas fomenta esse cenário, de acordo com o grupo.

A publicação reforça a crítica aos Estados Unidos ao citar que Trump revogou uma ordem executiva de segurança de IA, e fala que tanto o país como Rússia e China adotaram a IA em seus sistemas de defesa, apesar do risco dessas decisões.

O grupo analisa que o avanço tecnológico da IA pode acelerar o caos existente e a disfunção do ecossistema mundo, fomentando campanhas de desinformação e discursos como o ultranacionalismo ao redor do mundo.


Sugestões


No fim do texto, o grupo sugere que Estados Unidos e Rússia retomem as discussões sobre reduzir seus arsenais nucleares, além de discutir também com a China limitações para o uso da IA.

Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada por corrupção

Kim Keon-hee recebe pena de 1 ano e 8 meses de prisão por aceitar subornos da Igreja da Unificação e de um xamã em troca de favores para a organização 

  • Por Jovem Pan

O tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quarta-feira (28) a ex-primeira-dama do país asiático, Kim Keon-hee, a um ano e oito meses de prisão por corrupção, após declará-la culpada de aceitar subornos da controversa Igreja da Unificação.

Kim foi sentenciada por aceitar, em 2022, presentes de luxo de um xamã e de membros da Igreja da Unificação em troca de favores para a organização, segundo determinou o Tribunal do Distrito Central de Seul em uma audiência transmitida ao vivo pela televisão. A sentença também contempla o pagamento de uma multa de cerca de US$ 9 mil.
A condenação contra Kim, a primeira contra uma ex-primeira-dama na história da Coreia do Sul, é consideravelmente menor que os 15 anos de prisão pedidos pelo Ministério Público, que também havia solicitado uma multa de mais de US$ 1 milhão.
Finalmente, o tribunal considerou Kim culpada apenas por aceitar alguns dos bens indicados pelos promotores. A ex-primeira-dama foi absolvida da acusação de financiamento político irregular, assim como da suposta manipulação de ações da Deutsch Motors, distribuidora local da BMW, entre 2010 e 2012.


Kim, em prisão preventiva desde agosto, enfrenta outros dois processos judiciais: um por seu suposto envolvimento no recrutamento em massa de membros da Igreja da Unificação para se filiarem ao então governista Partido do Poder Popular (PPP), e outro por supostamente aceitar presentes de luxo em troca de favores trabalhistas no governo.
A líder da organização, pejorativamente conhecida como “seita Moon”, Han Hak-ja, e o ex-chefe da sede global da igreja, Yun Yeong-ho, também enfrentam processos judiciais em meio a um crescente escrutínio no país asiático contra esta instituição, conhecida por seus casamentos coletivos, bem como por sua influência política e econômica internacional.
A decisão ocorre dias depois de o marido de Kim, o ex-presidente Yoon Suk-yeol, ter sido sentenciado a cinco anos de prisão em um dos oito processos judiciais que enfrenta, metade deles relacionados à sua fracassada imposição da lei marcial em dezembro de 2024, que resultou em sua destituição.

*Com EFE

Brasileiro pega prisão perpétua por assassinar ex na Irlanda, diz jornal

Miller Pacheco foi condenado nesta sexta-feira (23) pela morte de Bruna Fonseca, ocorrida em Cork, no dia de Ano Novo de 2023


  • Por Jovem Pan

O brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira (23) pelo assassinato de sua ex-namorada, Bruna Fonseca, de 28 anos. A sentença foi proferida no Tribunal Criminal Central, em Cork, na Irlanda. As informações são dos jornais locais The Irish Times e The Journal.

O assassino, natural de Formig, em Minas Gerais, estrangulou a vítima no apartamento dele nas primeiras horas de 1º de janeiro de 2023. O crime ocorreu pouco tempo após os dois terem se mudado para a Irlanda.

Júri rejeitou unanimemente a defesa de Pacheco, que alegava não ter tido a intenção de matar e que teria aplicado um golpe de “mata-leão” para se defender durante uma discussão. A acusação comprovou que a vítima sofreu asfixia por estrangulamento manual e apresentava mais de 65 lesões pelo corpo.

A juíza Siobhan Lankford destacou que o crime foi motivado pela recusa do réu em aceitar o fim do relacionamento. Bruna e Miller namoraram por cinco anos no Brasil, mas haviam terminado pouco antes do crime, já na Irlanda.


Depoimentos



Durante a audiência, familiares de Bruna prestaram depoimentos. Izabel Fonseca, irmã da vítima, descreveu o impacto da perda e afirmou que Bruna vivia um relacionamento marcado por “manipulação constante”. A família, que vestia camisetas com a foto da jovem, celebrou a decisão do tribunal.

Os advogados de Miller Pacheco informaram que ele não pretende recorrer da sentença e que expressou remorso à família da vítima. Bruna, que era bibliotecária e havia se mudado para a Europa em busca de novas oportunidades, foi sepultada em sua cidade natal, em Minas Gerais.

A Jovem Pan não conseguiu localizar a defesa do brasileiro. O espaço está aberto para manifestação.